de um recém-nascido, logo depois do parto:
Ela está me conhecendo.
Sejamos rigorosos: ela esta nos conhecendo. Somos três gêmeos, mas completamente diferentes: o bebê real, o bebê ideal e o bebê imaginário.
Como estão dizendo os adjetivos, o único visível e palpável é o real, ou seja, eu. O imaginado é aquele que já vivia no pensamento da mamãe muitos meses (ou dezenas de anos?) Antes que eu, propriamente, nascesse. Mal isto acontece, a sorte dele está selada. Sou implacável, dominador e absolutista - posso chegar às raias do assassinato. É o que acontece, em geral, uns dois, três meses após minha subida ao trono.
O bebê ideal, também habitante da cabeça materna, nasce praticamente junto comigo. Não é concebido pela fusão do óvulo e o espermatozoide - é produto intelectual. Sua matéria prima são livros, revistas, cadernos B, alguma tradição oral (vovó, empregada e profissionais da saúde), à serviço do que convencionou chamar da puericultura (literalmente, cultivo de criança). Este meu gêmeo ideal tem o mesmo fim que o outro: em dois ou três meses dou cabo dele, e, ai sim, vou reinar realmente absoluto.
O bebê ideal, também habitante da cabeça materna, nasce praticamente junto comigo. Não é concebido pela fusão do óvulo e o espermatozoide - é produto intelectual. Sua matéria prima são livros, revistas, cadernos B, alguma tradição oral (vovó, empregada e profissionais da saúde), à serviço do que convencionou chamar da puericultura (literalmente, cultivo de criança). Este meu gêmeo ideal tem o mesmo fim que o outro: em dois ou três meses dou cabo dele, e, ai sim, vou reinar realmente absoluto.
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| A novidade do fim de semana na porta do quarto do Tomás |

